quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Cerca de 450 profissionais e especialistas se reúnem em São Paulo para discutir desafios e oportunidades para alavancar o desempenho nos setores fiscal, tributário e de comércio exterior no País no curto e médio prazos

Cerca de 450 dos mais importantes executivos, especialistas e autoridades que atuam nos segmentos fiscal, tributário e de gestão de comércio exterior no Brasil, estiveram reunidos ontem (28/10), em São Paulio, para uma discussão aprofundada sobre os novos desafios a serem enfrentados pela empresas que atuam nesses setores, e também sobre oportunidades factíveis para alavancar o desempenho econômico inclusive ainda no curto prazo.

Eles também trataram de tópicos específicos sobre a estrutura tributária brasileira, e sobre tendências do mercado para os próximos anos considerando os possíveis cenários pós-eleição presidencial. Destaque para os painéis sobre o impacto das novas tecnologias no desenvolvimento econômico e na recuperação do potencial de crescimento sustentável do País. Os debates aconteceram durante a terceira edição brasileira do SYNERGY 2014, evento promovido pela Thomson Reuters em várias partes do mundo e que se consolidou como referência mundial para discussões no segmento.

O economista Ricardo Amorim abriu a plenária principal trazendo uma análise inédita sobre o comportamento atual da economia brasileira, e sobre as dificuldades estabelecidas nos últimos anos (que, segundo ele, geraram estagnação do setor industrial). Ele traçou paralelos entre as gestões políticas das últimas décadas, em especial desde 2010, com uma abordagem detalhada a respeito das dificuldades enfrentadas pelas empresas (brasileiras ou não) para se estabelecerem e perdurarem no Brasil.

“O Brasil – que conseguiu obter bons números de crescimento de 2004 a 2010, após a entrada China na Organização Mundial do Comércio (OMC) – passou a enfrentar quedas significativas de desempenho econômico nos últimos quatro anos. Desde 2011, a taxa brasileira de crescimento foi a mais baixa entre os países da América Latina, apenas 2% –  bem abaixo dos números observados no Peru (5,9%) e na Argentina (3,9%), por exemplo”, disse o especialista. Ele lembrou que os dados obtidos são inversamente proporcionais à quantidade de horas gastas por empresas de médio porte para pagar impostos no Brasil (2.600), Argentina (405) e Chile (291).

"Muito disso decorre do fato de o País ter que se deparar com um verdadeiro nó formado por burocracia, tributos em excesso, apagão de mão de obra especializada e gastos públicos exorbitantes – situação que nos posiciona, ano a ano, mais perto dos piores países para se fazer negócio no mundo do que dos melhores. É fundamental adotar formas de fazer o Brasil voltar a crescer, em especial no setor industrial, já que um país não pode se desenvolver sem produzir”, recomendou ele, fazendo referência a pelo menos duas medidas que podem ser tomadas já no curto prazo: uso estratégico da tecnologia para acompanhar e responder rapidamente às demandas de desenvolvimento dos negócios, governança e compliance; e adoção de medidas que favoreçam as atividades e a gestão do comércio exterior para aumentar a capacidade do Brasil na área de exportação.

Ótica do Governo
O subsecretário de Fiscalização da Receita Federal, Iágaro Jung Martins, também esteve presente no Synergy 2014. Ele trouxe a ótica do Governo sobre os desafios vivenciados atualmente na área de tributação. Fazendo referência às análise de Amorim, ele foi taxativo: "Nosso desafio não é mais identificar quem sonega impostos. Isso já podemos fazer, com a especialização de um grupo de auditores 'de elite', responsável por autuações de grande porte”. E projetou: “Nossa meta para os próximos cinco anos é facilitar o modelo de compliance, para assistir aos contribuintes que desejam fazer a coisa certa. Investimos muito em Tecnologia. Hoje, o Sistema Público de Escrituração Digital (SPED) é um dos maiores bancos de dados do mundo, com 210 milhões de documentos por mês".

Ao fazer o balanço das palestras apresentadas no período da manhã, Roberto Sória, Chief Technology Officer  da Thomson Reuters no Brasil, resumiu: "A Tecnologia é o elo fundamental para que as empresas consigam lidar de forma satisfatória com toda a complexidade do mundo moderno, que somente no Brasil inclui 120 milhões de pessoas com acesso a internet e mais de 278 milhões de celulares, além da irreversível tendência de utilização de Cloud Computing". Para finalizar, ele explicou que as metas da Thomson Reuters são trazer para o mundo dos negócios conhecimentos relevantes da indústria e criar ferramentas para que as empresas consigam utilizar esses dados para ganhar vantagem competitiva.

Profissionais estimam mais complexidade do sistema tributário
Uma sondagem realizada com os profissionais presentes no evento revelou as expectativas, o nível de conhecimento e os modelos de atuação das empresas em relação aos temas mais atuais e que geram mais dúvidas no setor fiscal e tributário, como SISCOSERV, Regimes Especiais, Compliance e Risco, eSocial e ECF.

Sobre as perspectivas de futuro, a sondagem revelou que 48% esperam que a complexidade do sistema tributário aumente durante os próximos quatro ou cinco anos, enquanto 35% acreditam que não haverá grandes mudanças significativas no setor durante este período.  Para manter-se em compliance, a maioria disse investir em capacitação da equipe interna por meio de cursos in company ou externos (45%) e na contratação de profissionais ou consultorias externas (32%). Para 23%, a empresa assume que os profissionais já estão capacitados e faz a defesa administrativa caso ocorra uma autuação,.


Eles também foram questionados sobre o impacto de alguns dos mais relevantes temas da atualidade para o setor. Sobre a entrega de SISCOSERV, nova obrigação que incide sobre importação e exportação de serviços, 33% dos profissionais afirmaram estar totalmente em compliance Uma parcela siginificatica de 38% revelou não haver iniciado a entrega ou estar ainda em fase de avaliação. Quando perguntados sobre a utilização de regimes especiais aduaneiros (como Drawback, por exemplo)  para aumentar a competitividade da indústria frente ao mercado internacional, os resultados foram bem equilibrados: 47% afirmou utilizá-los, mas 46% ainda não fizeram essa adoção.


Da redação